Cara de Mãe

Postado em:
Blog - Institucional
- 23/02/2021 14:51:58

            Olá! Que bom nos encontrarmos por aqui neste vagão!

            Caso se trate de sua primeira viagem conosco, seja muito bem-vinda à família Trem de Histórias! Me apresentarei brevemente, mas recomendo que leia o primeiro post que contextualizo sobre o que se trata esse nosso espaço de “conversa”, o projeto em si e o amor que temos por nossas crianças.

            Meu nome é Emily Adachi, mãe do Matheus e psicanalista. Quinzenalmente estarei aqui com vocês trazendo conteúdos informativos, reflexões e compartilhando a vida como ela é, como mãe e entusiasta de temas relacionados ao doce e complexo universo infantil.

            O papo de hoje é dedicado às mães ou cuidadoras que desde o dia em que souberam da bênção da gravidez e/ou chegada do bebê, tiveram suas vidas transformadas de tal forma a nunca mais poderem retornar àquele lugar onde estiveram um dia (mesmo que quisessem)... Alguém se identifica?

            Quase que 24 horas do dia, digamos assim, são voltamos a nossos filhos, pelo menos pensando neles. Então, achei justo tirarmos alguns minutinhos para falarmos de nós, até porque somos tão condicionadas automaticamente a sermos “mulheres maravilhas”, que entramos em estafa física e psicoemocional, nos cobramos por estarmos cansadas, não conseguirmos dar conta de tudo. O tempo passa, o parceiro cobra, o corpo vai ladeira a baixo, não nos reconhecemos mais e, por fim, no final do dia, quase que ‘só” cumprimos o papel de alimentar e manter a higiene da criança e pouco conseguimos GENUINAMENTE estarmos conectados com nossos filhos.  

            É sobre esse piloto automático que eu gostaria que refletíssemos em conjunto, principalmente nas fases em que mais nos vemos “cansadas”. O que é um piloto automático? O cérebro adora isso porque não precisa de muito esforço, o corpo já faz quase sozinho... E é aí onde exatamente mora o grande perigo, quando nos deixamos nesse módulo sabe-se lá por quanto tempo, às vezes por anos. Gastamos tanta energia e tempo preocupadas em cumprirmos obrigações diárias que nos esquecemos ou deixamos para depois o que de fato importa. Isso faz diferença, faz toda a diferença na hora e também no continuar da caminhada, seja sua, da criança ou da família.

            Sei que é extremo o que vou relatar, mas sabiam que bebês que recebem apenas cuidados básicos para sobrevivência de forma mecânica, sem afeto nenhum, podem morrer*? Vejam a tamanha importância do afeto para a formação estrutural humana. Conseguem imaginar as pequenas doses de escassez afetiva que acabamos favorecendo em nossos lares por conta do piloto automático?

           Agora, antes que se sintam mais pressionadas, ainda achando que não estão dando atenção suficiente a seus filhos, pois precisam trabalhar nessa vida (O texto não trata disso; a leitura que se deve fazer é: não sejamos perfeccionistas, não nos cobremos tanto, deixemos alguns pratinhos caírem que o mundo não acaba.), como está também a SUA dose de auto afeto pós-maternidade? Você se reconhece no espelho? Está com a vaidade em dia? E o sexo? Ou perdeu o seu contorno não sabendo onde começa você e onde termina o filho, tornando-se praticamente um ser único? Quero lembrar que essa simbiose não é saudável para nenhuma das partes em nenhum grau.

            Finalizo então com um convite para sairmos todas do piloto automático, cada uma dentro de seu contexto, e mudarmos as marchas diariamente, ressignificando essa trajetória, os nossos papéis, e esse lugar em que nos colocamos e queremos estar para uma vida mais leve, mais amorosa e mais conectada com nossos filhos, nossa família, com nós mesmas.
           
            O que você quer que signifique ter “cara de mãe”? Confesso que não gosto da estereotipagem que existe hoje, e conto com todas para que possamos com muito orgulho, mudarmos isso.


            Certa vez, ao dizer para uma desconhecida que eu tinha um filho, cheguei a ouvir como se elogio fosse: ”Nossa! Você nem tem cara de mãe!”
           
Aff!

           
Beijos, Emily.


*(Para quem se interessar, me procurem que compartilho estudos.)

Perguntas ou sugestões de temas?
Me escreva!
contato@emilyadachi.com.br    I  insta: @emilyadachi_psicanalise

 

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