Apagão criativo: não deixe seu filho cair nessa armadilha!

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Blog - Institucional
- 18/05/2021 16:50:43


Não passo um dia sequer sem ver pais e mães cada vez mais assustados e preocupados com o estado de coisas do mundo contemporâneo. Tudo está mudando tão rápido, as demandas do mercado estão mais específicas, as vagas de emprego parecem estar sumindo, os salários baixando, crise econômica generalizada, tecnologias surgindo… ufa!

Deixa eu te contar o que está acontecendo. Nós estamos vivendo agora o mundo VUCA,  acrônimo de volátil, incerto, complexo e ambíguo. Nosso mundo atual é uma mistura perigosa, mas também cheia de oportunidades, dessas quatro dimensões: jamais as transformações foram tão profundas, tão rápidas e com potencial de mudanças tão drásticas já no curto prazo. É natural que você se sinta assim.

E nesse ambiente de metamorfose generalizada, de novas demandas, mas também de permanências de velhos problemas, os mais jovens poderão estar em situação ainda mais vulnerável, se considerarmos que eles encontrarão em poucos anos um mercado de trabalho muito diferente daquele que hoje nós, os veteranos, estamos inseridos. Mas para um mundo de novidades, é preciso uma formação inovadora.
Daí a preocupação de tantos pais que seus filhos sejam alfabetizados nas melhores escolas, façam os melhores cursos, dediquem-se aos esportes e sejam fluentes em língua estrangeira. Desejam o melhor para eles, claro. Mas tudo isso custa muito caro e tira o tempo deles da nossa convivência.

Se há uma habilidade que todo ser humano precisa desenvolver logo, independentemente da faixa etária ou da origem socioeconômica, é a criatividade. E ao contrário do que muitos acreditam, a criatividade não é exatamente um talento, algo que ou você nasce com ou sem ela. Essa é uma habilidade que pode ser ensinada e desenvolvida com práticas muito simples, desde a primeira infância, na convivência do lar.

No entanto, vivemos nas universidades e no mundo do trabalho, um verdadeiro apagão criativo. São raros os grupos de jovens profissionais capazes de apresentar soluções novas e criativas para problemas antigos, que estão dispostos a encarar os desafios mais  complexos dentro das corporações. E os que se arriscam, mesmo com coragem e boa vontade, acabam fracassando com frequência.

Permita-me compartilhar três dicas preciosas que colhi nos muitos anos como professor de Economia e História, nos treinamentos em empresas e nas mentorias com diversos profissionais, de como estimular a criatividade.

  1. não deixe a vergonha tomar conta de você ou de seu filho: estudos mostram que a vulnerabilidade (não a fraqueza), ou seja, a capacidade de se mostrar como é, de ser honesto consigo mesmo, de  ser autenticamente natural, é campo fértil para a criatividade, coragem e inovação, como nos aponta Brené Brown. Quanto maior a vergonha, quanto mais nos submetemos a julgamentos de terceiros e nossos próprios, menor nossa capacidade inventiva e, por consequência, menos criatividade.
  2. amplie seu repertório e convide seu filho para te acompanhar: eu sei que você gosta de Simone & Simaria, mas não custa variar um pouco, tirar o fone de ouvido e compartilhar com a família uma playlist de músicas cubanas, por exemplo, ou os sucessos de Piaf, ou as letras e arranjos incríveis da Adriana Calcanhoto! Dance pela sala, preste atenção às palavras e aos ritmos, encante-se pela arte da música. Traga livros novos, com histórias e ilustrações encantadoras, leia em voz alta. Assista aos clássicos do cinema, fale sobre os atores e atrizes mais famosos. Apresente a eles os grandes pintores do mundo, de Picasso a Michelangelo. Visitar parques, museus, feiras livres de artesanato ou de antiguidades, de frutas orgânicas ou de quadrinhos, enfim, movimente o espírito. A criatividade é alimentada por vasto repertório, quer dizer, não se pode ser criativo sem ter adubado a mente e a alma de referências engrandecedoras.
  3. encoraje seu filho mesmo diante do fracasso: estimule seu filho na resolução de desafios cotidianos. Por exemplo, os mais novos poderão ser desafiados a abrir uma lata de doces, os mais velhos a pregar um quadro e não deixar torto, outros a encontrarem espaço no varal cheio para a toalha úmida, instalar a impressora nova ou configurar o celular do avô. A vida diária não economiza nos desafios. E o mais importante, não deixe-o desistir na primeira dificuldade, ofereça auxílio sem fazer por ele. Errar faz parte do processo de amadurecimento cognitivo e é oportunidade de aprendizagem. A desistência impede esse processo.
Essas dicas valem para crianças de 0 a 80 anos e podem começar a ser aplicadas a qualquer momento, quanto mais jovem melhor. Nesse mundo em que a tecnologia parece ocupar os espaços das pessoas, não há nada que possa garantir mais nossa presença humana que nossa própria criatividade.

Danilo Pastorelli é mestre em Economia, graduado em História, especialista em ensino e aprendizagem no ensino superior, professor universitário, empreendedor em educação, conferencista e mentor.
 

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