Refletindo sobre "A criança que fui um dia" por Emily Adachi

Postado em:
Blog - Institucional
- 03/02/2021 15:56:36

Bem-vindos ao clube!

            Se você chegou até este texto, já se considere fazendo parte de um grupo de viajantes que têm o espírito aventureiro em sua essência, acredita nas tantas estações que percorremos todos os dias e não quer perder o único trem da vida.
            Somos juntxs agora uma rede de mães, pais, avós, tios, amigos, cuidadores e até instituições, para compartilhar as histórias de nossas viagens, nossos trajetos e nos apoiar a fim de seguir a melhor direção para cada um.
            Muito prazer, meu nome é Emily Adachi. Formada em administração, atuei em Marketing e Comunicação por muito tempo. Poucos anos atrás, recebi um chamado “interno” para me tornar psicanalista, pois entendi que não somos fadados a seguir apenas um caminho, mudar os trilhos é permitido, mesmo que seja no meio da rota, mais longo e/ou desconhecido.
            Casada, mãe do amado Matheus de 3 anos e “tia Mi” do amado enteado Guilherme de 7, passei por um período ressignificando e estudando a importância do afeto e da conexão com as nossas crianças, bem como o tamanho impacto desse ambiente em nossas vidas.
            Por tudo isso, aqui estou a fazer parte deste lindo projeto “Trem de Histórias”, que nasceu para exatamente proporcionar esse “ambiente singular” no lar de cada família. Nesse ambiente, por meio da leitura, abordam-se temas diversos como o conhecimento da nossa fauna brasileira tão desvalorizada (só achamos legal o que vem de “fora”), inclusão e diversidade, contadas por personagens tão plurais que ganharam vida nessas narrativas lúdicas, minuciosamente elaboradas, e que acima de tudo nos permitirão o “conectar” com as crianças.
            A lógica não é nosso veículo primário para proporcionar a conversa, a conexão genuína. Hoje em dia os pais/cuidadores tendem a ter mais interesse em que seus filhos adquiram habilidades concretas e alcancem marcos de desenvolvimento.
            Jean Jacques Rousseau achava que as crianças deviam ter espaço para que seu desenvolvimento desabrochasse naturalmente. Uma criança deve ser livre para explorar e descobrir o mundo, para que seus sentidos gradualmente “despertem”.
            O despertar ajuda as crianças a produzir qualidades internas e psicológicas, tais como segurança e tolerância ao diferente, e a se expor a uma variedade de gostos, cores e imagens, simplesmente porque isso dá prazer a elas. É o primeiro passo para ensiná-las a serem adultos cultos que sabem se divertir.
            A leitura em conjunto estimula a criança a observar, fazer perguntas e tornar seus questionamentos cada vez mais racionais. Ela se torna capaz de contar, classificar, ordenar e descrever. Assim, a leitura destina-se a ativar a rede neural para diversão. Despertar.
            Quando vivemos uma nova experiência ou nos concentramos em algo, isso ativa os disparos neurais, ou seja, os neurônios, nossas células cerebrais, entram em ação. Neurônios que se disparam juntos, ligam-se juntos. Todo esse processo da ativação ao crescimento neural e conexões fortalecidas é chamado de neuroplasticidade. Basicamente, isso significa que o cérebro é plástico, modifica-se com base no que vivenciamos e no que focamos a nossa atenção.
            Essas novas conexões neurais alteram a forma como agimos e interagimos com o mundo. É assim que a prática da leitura em conjunto pode se tornar uma habilidade.
            Aprendemos cedo na vida a usar nossas conexões com outras pessoas confiáveis para aliviar nossa aflição interna. Essa é a base do “apego seguro”.
            Quando as crianças passam tempo com as pessoas mais importantes de suas vidas, desenvolvem habilidades relacionais, como se comunicar e ouvir bem, interpretar expressões faciais, compreender a comunicação não verbal, compartilhar e sacrificar-se. Nos relacionamentos, também desenvolvem modelos sobre como se encaixam no mundo ao redor delas e como os relacionamentos funcionam. Elas aprendem se podem confiar que outras atendam e respondam suas necessidades e sentem-se capacitadas e protegidas o suficiente para saírem e correrem riscos. Aprendem também se os relacionamentos as deixarão se sentindo sozinhas, ressentidas ou compreendidas e bem cuidadas.
            É na infância que se aprende a estar no mundo. Um lindo e encantador (também bemmm trabalhoso) período em que se desenvolvem as capacidades, que primeiro se relacionou com o ambiente e consigo mesmo, e muito naturalmente utilizará essas primeiras experiências como modelo para todas as ações futuras na vida adulta, quer se deem conta disso ou não. A infância é um momento importante, na medida em que ela é inaugural.  É esse ambiente de aprendizado que queremos mensalmente ajudar a criar aos passageiros desse trem.
            O que se aprende como estrutura fica presente, ou seja, nossa infância estará sempre presente na forma como nos relacionamos, na forma como comemos e trabalhamos. Nossa vida é fruto de referenciais que recebemos na infância.
            Por fim... Vá para o chão com as suas crianças para ver o mundo como eles veem. Não leia “para” elas, leia “com” elas. O tipo de relacionamento que você oferece a eles, afetará as próximas gerações.
            Nós, do Trem de Histórias, aguardamos o seu embarque. Escolha o vagão preferido e entre nessa aventura de conexão com os seus pequenos pelos trilhos da imaginação... a estação infância passa, e quando “retorna”, não é mais como era...
            Fecho este nosso primeiro “bate papo” com a letra de uma canção que fortemente recomendo conhecer, “A Criança Que Eu Fui um Dia”. Confesso que ela me fez chorar quando a ouvi pela primeira vez, pois somos, na verdade, eternas crianças em um corpo adulto.
            Nos vemos na próxima parada.
            Emily.

 “Ah
A criança que eu fui um dia hoje veio me visitar
Mas não se encontrou em mim
Mas não se reconheceu

Ah
A criança que eu fui um dia hoje veio me visitar
Em qual mentira por aí
Que a gente se perdeu?

Desaprendeu a sorrir, foi?
Desaprendeu a sorrir, é?
Quem te ensinou a desistir
Quem te ensinou a desistir de ser o que você quiser?
De ser o que você quiser

A criança que eu fui um dia mora
Dentro desse adulto que eu me tornei
Na mesma gaveta onde eu guardo os
"Para de sonhar, leva a vida a sério"
E ela representa tudo o que eu quis ser um dia
Mas, parei de sonhar e levei a vida a sério
Sim, exatamente como me disseram pra fazer
Mas ao contrário de mim, ela nunca desiste
Ela insiste em me fazer sorrir
Essa criança não marcou hora na minha agenda lotada de desculpas
Não pediu licença, simplesmente abriu a porta e veio me visitar
E como quem fala
Ei, você não tá mais de castigo
Ela me olhou e disse a coisa mais séria que eu já ouvi
Você quer brincar comigo?


Reverb Poesia / Álbum A Criança Que Eu Fui um Dia



Quinzenalmente estarei aqui com vocês, trazendo conteúdos informativos, reflexões e também compartilhando a vida como ela é, como mãe e entusiasta de temas relacionados ao doce e complexo universo infantil.

Perguntas ou sugestões de temas? 
Me escreve! 
contato@emilyadachi.com.br
@emilyadachi_psicanalise

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